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Segredos soltos na estação de metrô
sábado, 5 de setembro de 2009 @ 13:30
![]() - Você esconde um segredo. - Ele afirmou, abordando-a. - Como? - Ela estava ouvindo isso mesmo que pensou ouvir? Que afirmação mais idiota, e que coisa mais inesperada era essa? - Posso ver. - Respondeu ele com toda a confiança do mundo. Pausa. Ela se vira e o encara, respirando fundo. - Ver o que? - Que você esconde um segredo, eu sei que esconde. - Disse ele mais uma vez, incrédulo. - E quem te contou? - Ninguém me contou, eu percebi. Pausa. Eles não se conheciam. Ele devia ser realmente muito bom de percepção, intuição, sexto sentido ou búzios em terreiro de pai-de-santo, pensou ela. - Como se percebe quando alguém está escondendo um segredo? Eu não entendo, acho que você está delirando. - Nunca me senti tão são em toda minha vida. - Ok, posso ir embora agora? Ela tinha mais coisas à fazer, e essa tentativa de conversa louca não importava. Ele não percebeu, mas estava bloqueando a passagem. - Não. Apenas me conte. Sim, ele percebeu que estava bloqueando a passagem, foi de propósito que o fez. - Eu não preciso contar meus segredos pra ninguém. Posso ter o privilégio de guardá-los pra mim mesma? Com licença. - Ironizou ela, tentando mais uma vez avançar em direção à porta. - Não tenha medo de mim, eu só quero saber que segredo você guarda. - Só isso. Imagina se ela iria sair contando seus segredos pra qualquer pessoa assim? Não, ela não contaria, ainda mais reservada do jeito que era. - Você é o que? Um psicanalista andando no metrô procurando alguém que julgue louco para fazer uma análise? Ou é um escritor desocupado que está escrevendo um livro decifrando as pessoas? Ah não, você é um paparazzi que me confundiu com alguma famosa e quer descobrir em última mão os seus segredos? Desculpe mas não vou poder te ajudar. Meu nome não é Anne Hathaway, nem Jennifer Garner e muito menos Amanda Peet. - Não sou nada disso, calma. - Tranquilizou ele, depois do turbulento desabafo de hipóteses. - Então porque você está pedindo para eu te contar meus segredos? - Eu... Não sei. - Como assim não sabe? - Ela pensou um pouco e concluiu - Ok, você é louco. - Não sou louco, eu só não sei. Não sou paparazzi, psicanalista muito menos o paciente de um, mesmo nem todos sendo loucos. Eu nem sou daqui, digo, desse país entende? Eu só estava te vendo esperando o metrô e pela sua expressão pensei que você tivesse algum segredo que precisasse contar. Pausa mais uma vez. Ela olha para os sapatos dele. Não tem idéia alguma do que fazer, mas ainda falta algum tempo para a pessoa que estava esperando chegar no metrô que ela esperava. Que mal faria, então? Eles não se conheciam mesmo, e provavelmente nunca mais iriam se ver. - Eu tenho muitos segredos. - Ela responde, parando para olhar uma criança e sua mãe comprando um pacote de balas na loja de doces que se encontrava à esquerda. - Acredito que todas as pessoas têm. - Eu já cometi erros horríveis e nunca contei pra ninguém, também... - Isso é normal. Mas acho que também são segredos, esses. Mais uma pausa. Ele se lembra de algo e diz: - O segredo mais difícil de ser guardado por um homem é a opinião que tem de si mesmo. - De quem é essa frase? - Marcel Pagnol. Um dramaturgo e cineasta francês. - Você vem de lá? - Sim. E estou voltando para lá semana que vem. - Respondeu ele, e logo retomou o pensamento da frase - O que você pensa sinceramente sobre sí mesma? - Penso... Eu poderia dizer as minhas qualidades e meus defeitos, mas tem muito mais. Tem coisas da gente que a gente não conta pra gente nenhuma. - Olha, essa frase foi dígna de Marcel Pagnol. - Ele riu, e ela também. - Você acertou hoje quando disse que eu tinha segredos que preciso contar. Vivi a minha vida toda com eles, hoje em dia estão à flor da pele. - Segredos não são assombrações. Não precisa tratá-los assim. - É, mas são as coisas ruins que eu fiz. - Se você contar pra alguém, elas viram de segredos à más recordações. - Mas e se você contar pra alguém? - Realmente. O culpado da revelação de um segredo é sempre quem o confiou. - Frase francesa denovo? - Ela perguntou. - Jean de La Bruyère, um moralista. Mas eu não contaria para ninguém, eu nem te conheço. E não podem ser coisas tão ruins assim, só são segredos. Eu mesmo escondo muitos nesse exato momento. - Você acredita mesmo que não seja tão ruim assim? - Acredito. Quando a coisa é pior, ela certamente é descoberta e deixa de ser segredo. - Tem razão. Você tem muitos segredos? - Ela perguntou, curiosa. - Tenho. Durmo com uma meia reserva do meu lado, se a meia escapar do pé eu pego a reserva para não passar frio. Sempre afirmo que estou certo, mas não tenho certeza que estou. Já aprovei muitas coisas que não deveriam ser aprovadas. Enfim... - Era pra eu contar os meus e você que está contando os seus... Os seus são interessantes. - De certo que não muito, são pequenos. Daqueles que a gente não conta por vergonha, ou por não julgar necessário que o outro saiba. Os seus que devem ser. - São um pacote cheio de informações minhas ocultas do mundo. - Posso perceber. - Minha vida parece ser interessante, ao ver de quem vê de fora. Tenho uma boa profissão e o sucesso em tudo que faço. Mas não é, eu sou infinitamente infeliz. É um segredo, esse. Ele colocou as mãos nos bolsos, refletindo. Ela olhou para o relógio e logo avistou o que aguardava, e quase se esquecera. - Alí. A pessoa que eu esperava chegou, tenho que ir. Desculpe não ter havido tempo para te contar todos os meus segredos, mas mesmo essa conversa sobre eles já me aliviou muito. - Imagino que sim. Então... Acho que tchau. - É, tchau. Ela se virou e deu o primeiro passo, mas ele falou uma ultima coisa que a fez parar instantâneamente: - Ah, só mais um ultimo segredo. Caso se interesse, embaixo do vaso da lanchonete do terceiro lance há uma passagem para a França, caso queira saber desse. Ainda de costas, ela riu. E seguiu seu caminho de muitos outros segredos futuros. Baby come tell me your secrets, and tell me all your dreams Marcadores: blorkutando., segredos
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